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Retratamento de canal ou implante? Saiba como é feita a escolha do tratamento.


A escolha entre o retratamento de canal e o implante dentário é uma situação relativamente comum. Aprenda neste post como eu decido o tratamento mais apropriado entra estas duas técnicas tão diferentes entre si.

 

Luís Gustavo Leite é dentista especialista em próteses dentárias e periodontia pela UFRGS, com pós-graduação em implantodontia, em Porto Alegre.

 

 

Uma das perguntas que mais escuto no consultório é: vale a pena tentar salvar um dente através do retratamento de canal ou é melhor removê-lo e instalar um implante dentário? A resposta raramente é simples. Em muitos casos, ambos os tratamentos podem oferecer excelentes resultados. Em outros, apenas um deles realmente apresenta um bom prognóstico.

 

Neste artigo vou explicar quais critérios utilizo para decidir entre preservar um dente através do retratamento de canal ou substituí-lo por um implante dentário.

 

 

Quando um retratamento de canal é necessário?

 

O retratamento de canal tem como objetivo eliminar a reinfecção em dentes que já tiveram seus canais tratados. Ela pode acontecer tanto em dentes que tem apenas um canal, como os dentes anteriores, ou dentes com dois ou mais canais.

 

Na maioria das vezes, a reinfecção do dente só é percebida passados muitos anos do tratamento de canal. Por ser de evolução lenta, muitas vezes a reinfecção provoca apenas desconfortos dolorosos, o que acaba retardando a procura do dentista e permitindo a disseminação extensa de destruição do osso ao redor das raízes dentárias

 

Os principais sinais que os pacientes percebem quando dentes com canais já tratados voltam a infeccionar:

 

dor espontânea ou dor ao mastigar;

sensação de algo “está estranho” no dente;

aparecimento de fístula (“bolinha de pus” na gengiva);

abaulamento das gengivas em áreas profundas.

 

 

A tomografia é exame indispensável.

 

A tomografia permite avaliar detalhes que muitas vezes não aparecem nas radiografias convencionais. Apesar de mais caro comparado a exames tradicionais como as pequenas radiografias feitas no consultório do dentista ou o raio x panorâmico feito em empresas de radiologia, a tomografia é exame indispensável para avaliar dentes cujo tratamento de canal falhou.

 

 

O retratamento de canal como primeira opção ao tratamento de canal que falhou.

 

Sempre que existe uma possibilidade real de preservar um dente com bom prognóstico, considero essa alternativa primeiro. Um dente natural saudável continua sendo uma excelente estrutura biológica e, quando pode permanecer em função por muitos anos, normalmente merece ser preservado.

 

Entretanto, preservar um dente apenas porque ele ainda está presente nem sempre é a melhor decisão. Existem situações em que o retratamento possui baixa previsibilidade ou exigirá procedimentos tão complexos que a substituição por um implante acaba oferecendo um resultado mais seguro no longo prazo.

 

 

Comparando as taxas de sucesso do retratamento de canal e dos implantes dentários.

 

Existe um mito bastante difundido de que os implantes dentários apresentam resultados muito superiores aos dos retratamentos de canal. Quando analisamos os principais estudos científicos, entretanto, percebemos que essa diferença é muito menor do que a maioria das pessoas imagina.

 

As pesquisas mostram que ambos os tratamentos apresentam excelentes índices de sucesso quando corretamente indicados. Em linhas gerais, os retratamentos de canal apresentam taxas de sucesso entre 80% e 90%, enquanto os implantes dentários apresentam taxas de sobrevivência entre 90% e 97% após vários anos de acompanhamento.

 

Na prática clínica, essa diferença mostra que os números devem ser interpretados com cautela. Mais importante do que perguntar qual tratamento apresenta a maior taxa de sucesso é identificar qual deles possui o melhor prognóstico para aquele dente específico. 

 

Em muitos pacientes, preservar um dente natural continua sendo a alternativa mais conservadora e previsível. Em outros, quando a estrutura dentária já está severamente comprometida, o implante passa a oferecer melhores perspectivas de longo prazo.

 

 

Apicetomia tem a pior taxa de sucesso entre os tratamento disponíveis.

 

 Existem diversos motivos pelos quais um dente que já tem tratamento de canal volta a infectar. Na maioria das vezes, a reinfecção é causada pela falha na execução do tratamento de canal. E, também na maioria das vezes, esta falha está na ponta da raiz.

 

A apicetomia é uma cirurgia indicada para remover a ponta das raízes de dentes reinfectados que já tem tratamento de canal.

 

Amplamente utilizada antes da popularização dos implantes dentários, ela tem uma taxa de sucesso baixa comparada ao retratamento de canal ou o implante dentário. Tanto que, atualmente, a apicetomia é visto como uma terceira alternativa restrita apenas a casos muito específicos – e que garantam a previsibilidade da técnica.

 

 

O que eu analiso para escolher entre o retratamento de canal e o implante dentário?

 

Antes de definir qualquer tratamento, procuro avaliar o caso de forma global. Não existe um único fator capaz de indicar automaticamente um retratamento ou um implante.

 

Os aspectos que considero mais importantes são:

 

– quantidade de estrutura dental remanescente;

– presença de fraturas;

– qualidade do tratamento de canal anterior;

– tamanho da lesão óssea;

– condição periodontal;

– quantidade de osso disponível;

– posição do dente na arcada;

– expectativa do paciente.

 

Na maioria das vezes, é o conjunto dessas informações que orienta a decisão.

 

 

Em quais situações o implante passa a ser uma alternativa melhor?

 

Existem situações em que o prognóstico do retratamento torna-se bastante limitado. Nesses casos, insistir na manutenção do dente pode aumentar o tempo de tratamento, elevar os custos e ainda resultar em perda óssea adicional.

 

Algumas situações merecem atenção especial:

 

– destruição óssea extensa (lesão grande);

– presença de pinos protéticos (risco de perfuração ao remover);

– reabsorções avançadas da raiz dentária;

– comprometimento periodontal severo;

– mobilidade dental significativa;

– dentes inviáveis para recuperação com restaurações ou próteses dentárias.

 

Sempre que existe uma possibilidade previsível de preservar um dente, essa costuma ser uma excelente alternativa.

 

Por outro lado, um implante bem planejado pode oferecer uma solução extremamente durável quando o dente já não apresenta condições de permanecer em função. O erro é comparar um implante novo com um dente gravemente comprometido. São situações completamente diferentes.

 

 

O custo do tratamento não deve ser decisivo na escolha do tratamento.

 

Naturalmente o investimento faz parte da decisão. Entretanto, procuro orientar meus pacientes a analisar também a previsibilidade do tratamento.

 

Um retratamento aparentemente mais econômico pode acabar exigindo novas intervenções caso o prognóstico seja desfavorável. Da mesma forma, indicar um implante apenas porque ele representa uma solução moderna também seria um erro.

 

O melhor tratamento é aquele que apresenta maior possibilidade de sucesso para aquele paciente específico.

 

 

Retratamento de canal ou implante: qual tratamento eu prefiro?

 

Cada caso apresenta características próprias e exige uma avaliação individualizada. Em algumas situações, preservar um dente natural é claramente a melhor escolha. Em outras, insistir na manutenção apenas aumenta o tempo de tratamento e reduz as chances de sucesso.

 

Na minha prática clínica, procuro utilizar exames de imagem, planejamento detalhado e uma análise criteriosa de cada caso para indicar o tratamento mais previsível. A tecnologia auxilia muito nesse processo, mas ela não substitui a experiência clínica nem o planejamento.

 

Precisão no planejamento. Previsibilidade nos resultados.

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